Quanto do aluguel cada produto seu precisa pagar
Todo mês o aluguel vence. A conta de luz também. Gás, internet, contador — chegam no mesmo valor, vendendo ou não. O problema é que muita gente que vende comida só coloca ingredientes e embalagem na conta do produto. Os custos fixos? Ficam de fora. E aí o lucro que parece real é só uma ilusão: o aluguel está sendo pago do seu bolso, não pelas vendas.
O que é rateio de custo fixo
Rateio de custo fixo é o processo de distribuir as despesas mensais fixas entre os produtos que você vende. Em vez de calcular só o custo de ingredientes e embalagem por unidade, você soma também uma fatia dos custos que existem independente do volume de vendas.
Quando isso entra no preço, cada venda contribui para pagar o aluguel, a energia e tudo mais. Quando não entra, essas contas são pagas de outra forma — geralmente com o que sobrou no caixa, que deveria ser o seu lucro.
O que entra nos custos fixos
Tudo que você paga todo mês, vendendo muito ou pouco:
→ Aluguel do espaço de produção (ou uma parte proporcional, se você usa a cozinha de casa)
→ Energia elétrica — o valor médio mensal, sem contar variações de equipamento a equipamento
→ Gás de cozinha
→ Internet e telefone usados no negócio
→ Contador ou serviço de gestão
→ Seu salário fixo, se você se paga um valor mensal definido
O que não entra: ingredientes, embalagens e taxas de delivery — esses são custos variáveis que já fazem parte do custo direto de cada produto.
Como calcular o rateio por unidade
O método mais direto: some todos os seus custos fixos mensais e divida pelo número total de unidades que você produz no mês.
Aluguel: R$ 700,00
Energia: R$ 150,00
Gás: R$ 80,00
Internet: R$ 100,00
Contador: R$ 70,00
Total fixos: R$ 1.100,00/mês
Produção mensal: 400 marmitas
Rateio por marmita: R$ 1.100 ÷ 400 = R$ 2,75 por unidade
Valores são exemplos — pesquise os preços da sua região.
Cada marmita vendida precisa "pagar" R$ 2,75 de custo fixo antes de gerar qualquer lucro de verdade. Se 400 unidades são vendidas no mês, o total de R$ 1.100 de fixos está coberto pelas vendas. Se forem menos, parte dos fixos vai vir do seu bolso.
O que muda no lucro real
Aqui está a diferença entre o que parece lucro e o que é lucro depois de tudo pago:
Ingredientes: – R$ 7,50
Embalagem: – R$ 1,20
Taxa iFood Básico (17,19%): – R$ 3,09
Margem variável: R$ 6,21
Sem rateio de custo fixo → parece sobrar R$ 6,21
Com rateio (– R$ 2,75) → lucro real = R$ 3,46 por marmita
Em 400 marmitas por mês: R$ 1.384,00 de lucro líquido real
Valores são exemplos — pesquise os preços da sua região.
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Muita gente olha pra margem variável de R$ 6,21 e acha que está bem. Mas essa é a margem antes de pagar o aluguel, a energia e tudo mais. O lucro real — o que de fato fica no caixa depois de todas as contas — é R$ 3,46. Não é ruim, mas é quase metade do que parecia.
O que fazer quando o lucro real é baixo (ou negativo)
Depois de incluir o rateio, o resultado pode ser positivo mas apertado, ou até negativo. Cada caso pede uma ação diferente:
Lucro real positivo e satisfatório: o preço está correto. O rateio só trouxe visibilidade do que já era real.
Lucro real positivo mas baixo: há pouca margem pra erro. Qualquer aumento de ingrediente ou queda de vendas vai apertar o caixa. É hora de revisar preço ou reduzir os fixos.
Lucro real negativo: o preço não cobre tudo. Você precisa aumentar o preço, reduzir os custos fixos, ou os dois juntos. Vender mais sem mudar o preço também ajuda — pois o rateio cai quando o volume sobe.
Volume de vendas muda o rateio
Essa é a parte que muita gente esquece: o custo fixo por unidade não é uma constante — ele depende de quantas unidades você vende. Se no exemplo acima a marmitaria passar de 400 pra 550 unidades no mês:
400 marmitas: R$ 1.100 ÷ 400 = R$ 2,75 por unidade
550 marmitas: R$ 1.100 ÷ 550 = R$ 2,00 por unidade
Lucro real a R$ 18,00 com 550 unidades: R$ 6,21 – R$ 2,00 = R$ 4,21 por marmita
Valores são exemplos — pesquise os preços da sua região.
O custo fixo mensal não mudou. Mas porque mais vendas dividiram ele, o lucro por unidade subiu de R$ 3,46 pra R$ 4,21 — sem mexer no preço. É por isso que escala importa: em negócio de comida, quanto mais você vende dentro dos seus fixos atuais, mais lucrativo fica cada produto.
Quando o rateio simples não é suficiente
Dividir os fixos pelo total de unidades funciona bem quando os produtos têm complexidade parecida. Se você vende marmita simples (30 min de preparo) e marmita especial (1h de preparo), rateio igual distorce. O produto mais trabalhoso deveria absorver mais custo fixo.
Nesse caso, faz mais sentido ratear por hora de trabalho ou por participação no faturamento. Mas esses métodos são para um segundo momento. Começar com o rateio simples por unidade já é muito melhor do que não fazer nenhum rateio.
Conclusão
Rateio de custo fixo é o cálculo que separa quem acha que está lucrando de quem sabe que está lucrando. É simples: some os seus fixos mensais, divida pelo número de unidades e inclua esse valor no preço. Sem isso, o aluguel e as contas são pagos pelas suas vendas de um jeito invisível — e quando o caixa aperta, você não entende por quê. Com o rateio na conta, o preço reflete o real, e o lucro que aparece no fim do mês é um lucro de verdade.
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