Comida a quilo: como definir o preço do quilo sem perder dinheiro
Você sabe quanto o seu quilo custa pra produzir? A maioria dos donos de restaurante a quilo não sabe — e essa é a razão mais comum de o salão ficar cheio enquanto o lucro some.
No restaurante por quilo, o preço de venda é visível: está escrito na placa. O problema é o custo real por kg servido, que quase ninguém calcula direito. Quando o preço foi definido "olhando a concorrência" ou no chute, qualquer aumento de ingrediente já está comendo uma margem que nem existia direito.
Por que o custo do quilo é mais difícil do que parece
Quando você compra 10 kg de frango a R$ 18,00/kg, paga R$ 180,00. Mas depois de cozinhar e temperar, aqueles 10 kg viram entre 6,5 e 7 kg de frango pronto — a carne perde água, gordura e, em cortes com osso, o rendimento cai ainda mais. Isso significa que o custo real do frango no balão não é R$ 18,00/kg, mas entre R$ 25,70 e R$ 27,70/kg.
Multiplique essa conta por todos os itens do buffet — arroz, feijão, salada, pratos quentes, guarnições — e você entende por que a nota fiscal de ingredientes não diz o custo real do que o cliente está pesando na balança.
Além da perda no cozimento, existe o desperdício: a sobra que vai pro lixo no final do expediente. Cada quilo que não foi vendido é custo que não virou receita.
Como calcular o custo real por kg servido
A forma mais prática não exige medir cada prato separado. Basta olhar o mês como um todo:
Some todos os gastos com ingredientes do mês e divida pelos quilos que a balança registrou como vendidos. Esse número já embute automaticamente as perdas no cozimento e o desperdício — porque você está dividindo o custo total pelo que de fato saiu pro cliente.
Depois, faça o mesmo com os custos fixos: some aluguel, salários, gás, energia, produtos de limpeza e divida pelo mesmo volume de quilos servidos. Cada quilo que sai do balão carrega uma fatia desse custo.
A conta completa: exemplo real
Gastos com ingredientes: R$ 10.800
Quilos servidos (registrados na balança): 600 kg
Custo de ingrediente por kg servido: R$ 18,00 (36%)
Mão de obra (2 funcionários + pró-labore): R$ 7.200/mês → R$ 12,00/kg
Aluguel + energia + gás: R$ 5.400/mês → R$ 9,00/kg
Custo total por kg: R$ 39,00
Preço cobrado: R$ 50,00/kg → Margem: R$ 11,00/kg (22%)
Valores são exemplos — pesquise os preços da sua região.
A margem de 22% parece boa, mas ela desaparece rápido se o volume cair. Se Maria servir 500 kg em vez de 600 kg num mês mais fraco, os custos fixos (aluguel e salários não diminuem) ficam diluídos em menos quilos — e a margem por kg encolhe.
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Com o custo total por kg em mãos, o preço mínimo é simples de calcular:
Preço mínimo = custo total por kg ÷ (1 − margem desejada em decimal)
Com 25% de margem: R$ 39,00 ÷ 0,75 = R$ 52,00/kg
Com 20% de margem: R$ 39,00 ÷ 0,80 = R$ 48,75/kg
Se você não sabe o custo total por kg, esse cálculo é impossível — e a tendência é cobrar abaixo do necessário achando que está "competitivo", quando na verdade está trabalhando de graça ou no prejuízo.
A régua de CMV para comida a quilo
O CMV é o custo de ingredientes em relação ao preço cobrado. É o primeiro número que você precisa acompanhar. Para restaurante a quilo, a referência prática é:
- CMV até 38%: saudável. Há espaço pra cobrir custos fixos e sobrar margem.
- CMV entre 39% e 44%: atenção. Os custos fixos vão apertar bastante.
- CMV acima de 45%: perigoso. Qualquer alta de ingrediente ou queda de volume joga no vermelho.
Um aumento de 10% no preço da carne, por exemplo, pode elevar o CMV de 36% para 40% — e cortar quase metade da margem em cima dos ingredientes. Quem não acompanha o CMV só descobre o problema quando o caixa já está no negativo.
Quando revisar o preço do quilo
O preço não pode ser eterno. Alguns sinais claros de que é hora de recalcular:
- Algum ingrediente principal (carne, óleo, gás) subiu mais de 10%
- O volume servido por mês caiu de forma consistente
- Você contratou funcionário novo ou deu aumento
- O aluguel reajustou
Não precisa recalcular todo dia. Uma vez por mês, pegar o custo de ingrediente ÷ kg servidos já é suficiente para saber se o preço ainda faz sentido — ou se você está bancando o prato do cliente sem perceber.
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